Vitória Eugénia de Battenberg, tragédia e exílio (com vídeo)

Vitória Eugénia deBattenberg com uma mantilha espanhola, por Joaquín Sorolla, c. 1910.

Durante seu reinado como consorte real Victória Eugénia de Battenberg passou por experiências amarga como o rechaço dos súditos, as traições do marido e o estado de saúde delicado dos filhos. No entanto, o ano de 1931 com certeza seria o mais marcante de sua vida. Nesta data a monarquia caiu e um longo exílio teve início.

Vitória Eugénia de Battenberg nasceu no Castelo de Balmoral, na Escócia, em 24 de outubro de 1887. Ela foi a única filha mulher de Henrique de Battenberg e de sua esposa, a Princesa Beatriz, filha caçula de Vitória do Reino Unido.

Vitória Eugénia foi uma das netas mais próximas da soberana britânica. Ela cresceu entre os Castelos de Windsor, Balmoral e Osborne devido ao fato de sua mãe atuar como assistente pessoal e secretária particular da Rainha Vitória.

Como membro da Família Real Britânica Vitória Eugénia foi batizada como anglicana, mas após seu casamento com Afonso XIII da Espanha se converteu ao Catolicismo, embora se duvide de quão sincera foi sua conversão a nível pessoal.

Em 1896, Henrique de Battenberg contraiu febre enquanto estava em uma expedição militar na África e faleceu deixando sua esposa desolada e quatro filhos órfãos.

Em 1901 foi a vez de sua avó falecer.

A partir de então Vitória Eugénia passou do status de neta da rainha para o de sobrinha do rei. No entanto, como era descendente de uma filha caçula ela não era vista como uma noiva real de grande valor político ou diplomático.

No entanto, isso não impediu que ela fosse notada pelo Rei Afonso XIII da Espanha.

O encontro entre o casal aconteceu em 1905 quando Vitória Eugénia, de 18 anos, participou de uma festa organizada por seu tio, Eduardo VII, em homenagem ao monarca espanhol, que estava visitando o Reino Unido.

A festa foi realizada no Hôtel du Palais na cidade de Biarritz. Vitória Eugénia atendia a todos os requisitos do padrão de beleza de sua época. Era loira, esbelta, tinha longos cabelos loiros e penetrantes olhos zuis.

Fascinado com a formosura da jovem Afonso XIII começou a cortejá-la quase de que maneira imediata. Desde o início o monarca era ciente da oposição existente a um possível casamento entre ambos, mas mesmo assim optou por prosseguir com suas investidas.

A própria mãe de Afonso, a Rainha Maria Cristina, não via com bons olhos a união de seu filho com uma princesa britânica e anglicana.

Além disso, as origens da linhagem Battenberg não eram tão nobres quanto a das de Afonso XIII, que por parte do pai descendia da Dinastia de Bourbon e por parte da mãe descendia da Dinastia de Habsburgo.

Mais do que professar um credo diferente e ser membro de uma família de baixa estirpe, havia também o histórico de hemofilia da Família Real Britânica. Maria Cristina temia que os filhos de Afonso XIII e Vitória Eugénia fossem portadores dessa enfermidade.

Se esta possibilidade se concretizasse a continuidade da Família Real Espanhola se veria ameaçada.

Apesar de toda oposição existente Afonso XIII decidiu que tornaria Vitória Eugénia de Battenberg sua esposa e assim o fez. A cerimônia de casamento teve lugar na Igreja de San Jerónimo el Real em Madri, na Espanha, em 31 de maio de 1906.

Dois meses antes, em 7 de março, Vitória Eugénia se converteu ao Catolicismo numa cerimônia no Palácio Miramar na cidade de San Sebastián e em 3 de abril, seu tio Eduardo VIII concedeu-lhe o título de Alteza Real.

Vitória Eugénia foi recebida com receio e desconfiança por parte da Corte Espanhola e pelo povo. Para piorar a situação logo após a cerimônia o novo casal real foi alvo de uma tentativa de assassinato pelo anarquista Mateo Morralele.

Morralele arremessou em direção a carruagem real, que seguia em direção ao Palácio Real de Madri, uma bomba oculta num ramo de flores. O evento ceifou a vida de pelo menos uma dezena de pessoas e outras centenas ficaram feridas.

Tanto Vitória Eugénia quanto Afonso XIII saíram ilesos, mas o vestido da nova rainha estava empapado com sangue de seus súditos quando a mesma chegou ao Palácio Real de Madri.

Era um péssimo pressagio para um reinado que mau havia começado.

Apesar desse início nada promissor os filhos não tardaram em chegar. Afonso XIII e a esposa tiveram sete filhos. No entanto, os problemas genéticos da família de Victória Eugénia logo viriam à tona.

Sabemos que pelos três filhos do casal foram portados de hemofilia, uma enfermidade que afeta a coagulação do sangue e em caso de ferimentos ou contusos causa a perda excessiva do mesmo levando ao surgimento de hemorragias.

Apesar de ser ciente do risco que corria ao se casar com uma mulher que possivelmente carregava consigo o distúrbio genético, após o nascimento dos filhos Afonso deixou de lado sua atitude despreocupada em relação ao tema e reagiu com frustração.

O rei constantemente repreendia a esposa por transmitir hemofilia a seus herdeiros e este tema acabou sendo um motivo de discussão frequente entre o casal.

Como se isso não bastasse, Afonso XIII começou a manter casos extraconjugais com regularidade e de maneira escancarada, sendo isso um motivo de grande humilhação pública para Vitória Eugénia.

Apesar de se dedicar a trabalhos de caridade e evitar se envolver em lutas de partidos políticos, a personalidade reservada de Victória Eugénia contrastava com o humor efusivo dos espanhóis, o que resultou num certo grau de isolamento da rainha.

Inclusive, vale citar que Victória Eugénia foi a grande promotora da Cruz Vermelha na Espanha.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Vitória Eugénia demonstrava seu apoio ao primo, o Rei George V do Reino Unido, enquanto sua sogra Maria Cristina defendia os alemães. Isso aprofundou ainda o distanciamento entre as duas mulheres.

Apesar da Rainha Maria Cristina ter falecido em 1929, a consorte de Afonso XIII não conseguiria preencher completamente o vazio deixado pela sogra na corte. Maria Cristina havia governado a Espanha em nome do filho de 1885 a 1905, sendo uma figura de autoridade e altamente respeitada.

De qualquer maneira, em 1931, o reinado de Afonso XIII e consequentemente o de Vitória Eugénia de Battenberg chegou ao fim. Nesta data foi proclamada a Segunda República Espanhola e a Família Real se viu obrigada a partir para o exílio.

Após passar um breve tempo na França e na Itália, Victória Eugénia decidiu regressar ao Reino Unido. Ela fixou residência em Londres, onde permaneceria até 1939 quando teve início a Segunda Guerra Mundial.

A partir de então Victória Eugénia deixou de pertencer à Família Real Britânica e mudou-se para Lausanne, na Suíça. Um ano antes, em 1938, a Família Real Espanhola havia se reunido em Roma para o batismo do filho mais velho de Juan de Bourbon, Juan Carlos, que ascendeu ao trono espanhol em 1975.

Juan de Bourbon foi o terceiro filho de Victória Eugénia com Afonso XIII, que faleceu em 28 de fevereiro de 1941, em Roma, sem jamais voltar a ter contato pessoal com a esposa. Foi um triste fim para um casal que começou o relacionamento de uma maneira tão apaixonada.

Vitória Eugénia de Battenberg voltou momentaneamente à Espanha em fevereiro de 1968, após trinta e sete anos de exílio, para atuar como madrinha no batismo de seu bisneto Felipe, o atual rei da Espanha.

Ela faleceria em 15 de abril de 1969 aos 81 anos, sendo uma dos membros das longevos da Família Real Espanhola e ao fim da vida havia conquistado o prestígio que havia carecido durante a juventude.


Texto escrito por Fernanda da Silva Flores

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