Aleijadinho: entre lenda e realidade (com vídeo)

Aleijadinho pelo desenhista e caricaturista Belmonte, sem data. Detalhe de Jesus na Subida do Calvário no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas.

A história do artista mineiro Aleijadinho mescla lenda e realidade ao ponto de se tornar difícil separar o que é fato e fabula em sua biografia. Mas uma coisa é certa, sua trajetória de vida foi tão brilhante a nível profissional quanto trágica a nível pessoal.

Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, nasceu em Vila Rica, atualmente Ouro Preto, em Minas Gerais. A cidade nasceu sendo fruto da exploração de ouro e pedras preciosas e assim se manteve durante grande parte da vida de nosso biografado.

Se especula que Aleijadinho tenha nascido entre 1830 e 1838 e que foi fruto do relacionamento do português Manuel Francisco Lisboa com a sua escrava Isabel, de quem quase nada sabemos.

O pai de Aleijadinho trabalhava como arquiteto e entalhador em Minas Gerais e chegou na região provavelmente na década de 1720.

Devido ao fato de seu progenitor atuar como mestre de obras é quase certo que Aleijadinho teve os primeiros contatos com a área através de seu pai, que atuava na contratação de homens para trabalhar nas grandes obras de Vila Rica.

Rodrigo José Ferreira Bretas é o principal biografo de Aleijadinho e é do livro escrito por ele em 1858 que provem praticamente todos os dados disponíveis sobre a vida desta personagem.

Bretas afirma que teve acesso a certidão de batismo de Aleijadinho e que no documento constava que o mesmo havia nascido sob a condição de escravo e que foi alforriado por seu pai logo após nascer.

Em 1738, Manuel Francisco contraiu matrimônio com a portuguesa Maria Antônia de São Pedro e levou seu filho ilegítimo para ser criado em sua residência. Deste modo, Aleijadinho cresceu ao lado do quatro meio-irmão que foram nascendo ao longo dos anos.

De 1750 até 1759 frequentou o Seminário dos Franciscanos Donatos do Hospício da Terra Santa, onde assistiria aulas de gramática, latim e matemática e seria instruídos nos pormenores da doutrina da Igreja Católica.

Portanto, Aleijadinho foi um homem que recebeu uma educação acima da média de seu tempo.

Nas ocasiões em que deixava o seminário Aleijadinho auxiliava o pai nos trabalhos que ele realizava. Durante esse período o artista também receberia influência do pintor João Gomes Batista, de seu tio o entalhador Antônio Francisco Pombal e do escultor Francisco Xavier de Brito.

Em 1752 teve lugar o primeiro projeto individual de Aleijadinho, que foi o desenho de um chafariz que foi depositado no Palácio dos Governadores de Vila Rica.

Onze anos depois, em 1767, Aleijadinho perdeu o pai, mas como era filho ilegítimo não recebeu herança. Provavelmente passando por dificuldades econômicos ele se alistou no Regimento da Infantaria dos Homens Pardos de Ouro Preto.

Permaneceu na vida militar durante três anos, mas mesmo assim continuava com sua atividade artista.

Foi durante esse período que ele recebeu encomendas importantes como o risco da fachada da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Sabará, e os púlpitos da Igreja São Francisco de Assis, de Ouro Preto.

No início da década de 1770 Aleijadinho organizou sua oficina. Em 1772 ela foi regulada e reconhecida pela Câmara de Ouro Preto. Ali o artista reuniria uma boa quantidade de assistentes e aprendiz.

Devido a seu grande talento Aleijadinho recebeu uma grande quantidade de encomendas, mas na ausência de documentação que comprovem a autoria de muitas peças se torna difícil para os críticos de arte e historiadores atestarem a autoria das mesmas.

Portanto, a controversa ainda paira sobre muitas obras.

Já perto do final da vida, em 1804, Aleijadinho realizou seu trabalho mais célebre. Os Doze Profetas estão localizados no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, no município de Congonhas e se tornaram um dos pontos turísticos mais visitados de Minas Gerais.

Também no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos se encontram as esculturas realizadas por Aleijadinho que retratam a Paixão de Cristo.

Embora, se deduza que alguns de seus assistentes tenham sido os autores de algumas obras certamente Aleijadinho participou da confecção de algumas peças.

Apesar de seu sucesso profissional a vida pessoal de Aleijadinho foi recheada de tragédias. A começar por sua companheira Narcisa Rodrigues da Conceição, que o abandonou e levou o único filho conhecido do artista para o Rio de Janeiro.

Ainda em 1777, quando contava 39 anos de idade, Aleijadinho se viu vitimado por uma doença que o deformou.

Não se sabe ao certo qual enfermidade era. Mas Especula-se que pode ter sido sífilis, bouba, artrite reumatoide ou ainda lepra, atualmente conhecida hanseníase.

Seja qual for a natureza de sua doença sabemos que entre 1807 e 1809 o estado de saúde de Aleijadinho já se encontrava bastante deteriorado. A partir de 1812, ele se tornou dependente das pessoas que estavam a seu redor, principalmente de sua nora e de seu filho, que havia regressado do Rio de Janeiro.

Ele finalmente faleceu em 18 de novembro de 1814, sendo sepultado no Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, em Ouro Preto.

Era o triste fim de um dos maiores artistas do Barroco e Rococó Brasileiro.


Texto escrito por Fernanda da Silva Flores

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