William Marshal: “o melhor cavaleiro do mundo”

Efigie tumular de William Marshal na Temple Church, em Londres. Foto de 2006. William Marshal (William Hurt) em ‘Robin Hood’, filme de 2010 dirigido por Ridley Scott

A notável história da vida de William Marshal é narrada na ‘Histoire de Guillaume le Maréchal’. O poema, composto após sua morte por um autor desconhecido chamado João, exalta William como sendo “o melhor cavaleiro do mundo”. Como se isso não bastasse em seu leito de morte William alegou ter capturado 500 cavaleiros enquanto participava de torneios.

Um filho rejeitado

William Marshal nasceu por volta de 1146. Ele foi o filho caçula de John Marshal e sua esposa Sibila de Salisbury e desde cedo sua vida esteve marcada pela guerra. O biografo de William conta que com apenas 6 anos de idade, em 1152, ele foi feito refém pelo Rei Estêvão que o capturou como uma forma de pressionar seu pai a lhe entregar o Castelo de Newbury.

Estêvão ameaçou John afirmando que enforcaria seu filho caçula em caso de não rendição. Mas a tática não funcionou. John respondeu de maneira desdenhosa que ainda era capaz de produzir “ainda mais e melhores filhos!” De qualquer maneira William não sairia ferido desse conflito, apesar de não sabermos qual foi o impacto psicológico que o evento causou nele.

Evidentemente William não contava com o apoio de seu pai e como filho mais novo de um nobre menor, ele também sabia que não podia esperar obter grandes terras ou riquezas por herança. Portanto, teria que trilhar seu próprio caminho e assim o fez.

Quando William tinha cerca de 12 anos, foi enviado para o primo de sua mãe, William de Tancarville, na Normandia, noroeste da França, para começar seu treinamento como cavaleiro. William passou sete anos como escudeiro e durante esse período aprendeu as habilidades tão bem que se tornou uma espécie de estrela dos torneios da França.

Fama e proteção de um herdeiro

Em 1170 a fama de William era tamanha que ele foi nomeado como membro da casa de Henrique, o Jovem, filho do Rei Henrique II da Inglaterra. Durante doze anos William seria uma espécie de administrador da equipe de torneios do príncipe inglês liderando pelos menos 500 outros cavaleiros.

William não somente deveria elaborar as táticas da equipe, mas também agir como espécie de guardião de Henrique. Apesar de terem tido um breve rompimento em 1181 William permaneceu ao lado de Henrique, o Jovem até a morte do mesmo por disenteria em julho de 1183.

Luta na Terra Santa e serviço prestado a Henrique II

Logo após a morte de seu protegido William partiu para Jerusalém com o intuito de fazer uma peregrinação com uma cruz que pertencia ao príncipe. Lá ele passaria dois anos. Durante esse tempo se engajou na luta dos Cavaleiros Templários e lutou pelo Rei Guido de Lusinhão.

Em 1185 William retornou a Inglaterra e jurou fidelidade a Henrique II passando a servir como seu capitão. Ele esteve ao lado do monarca durante a guerra que o mesmo travou contra seu filho rebelde, o futuro Ricardo I, Coração de Leão. Em 1189 enquanto dava cobertura a Henrique II, que se deslocava de Le Mans para Chinon, William teve a oportunidade de matar Ricardo durante escaramuça, mas optou por ceifar a vida de seu cavalo.

Ricardo, Coração de Leão também era um grande guerreiro e se conta que William foi o único homem capaz de desmontar Ricardo e o derrotar em um combate.

Fortuna e atuação política

Seja como for, a atitude de William foi a mais sensata. Logo depois, em 6 de julho do mesmo ano, Henrique II faleceria no Castelo de Chinon e Ricardo ascenderia ao trono. Provavelmente como uma recompensa por não ter tirado sua vida o novo rei deu a William a mão de Isabel de Clare, uma jovem de 17 anos, que era herdeira de vastas propriedades na Inglaterra, Irlanda, Normandia e País de Gales.

O casamento transformou um cavaleiro sem terra de uma família menor em um grande barão e um dos homens mais ricos do reino da Inglaterra.

Em 1190 teve início a atuação política de William de uma maneira mais intensa. Nesse ano ele foi nomeado para o Conselho de Regência, que foi deixado para governar a Inglaterra quando Ricardo, Coração de Leão partiu para a Terra Santa à frente da Terceira Cruzada.

Também vale citar que ele atuou como general prático do rei em suas guerras contínuas na França contra o Rei Filipe II e foi justamente durante esse conflito que se deu a morte de Ricardo, Coração de Leão, em 6 de abril de 1199, enquanto o exército inglês cercava o Castelo de Châlus.

Regência e anos finais

Quando João Sem-Terra faleceu em 16 de outubro de 1216, após um conturbado reinado de 17 anos, que foi marcado por perda de territórios herdados de seu pai na França e por divisões internas na Inglaterra, William Marshal foi considerado talentoso o suficiente para ser nomeado regente da Inglaterra e protetor do novo rei, Henrique III de apenas 9 anos de idade.

Aos 70 anos William se tornou o homem mais poderoso da Inglaterra e apesar de sua idade avançada ele ainda possuía uma grande aptidão física. Em 20 de maio de 1217 ele liderou o exército do Rei Henrique III na Batalha de Lincoln contra uma força invasora francesa apoiada por barões ingleses rebeldes.

Ele triunfou livrando a Inglaterra do domínio estrangeiro. Dois anos depois, em 14 de maio de 1219, William Marshal, o cavaleiro de origens humildes que se tornou uma lenda viva, faleceu em sua propriedade em Caversham em Berkshire. Ele legou a regência do reino a Pandulf Verraccio, que governaria até 1121.

William foi investido em seu leito de morte como membro da Ordem dos Cavaleiros Templários e foi sepultado na Temple Church, em Londres, onde seu tumulo pode ser visto até os dias de hoje.

Descendência e suposta maldição

William Marshal tinha 42 anos quando contraiu matrimônio com Isabel de Clare, de 17 anos. Isabel era filha de Ricardo de Clare, 2º Conde de Pembroke, mais conhecido como Strongbow. Strongbow foi outro grande cavaleiro da Idade Média e liderou a invasão normanda a Irlanda gaélica e se casou a Princesa Aoife Mac Murrough.

Devido ao fato de seus filhos homens terem morrido sem descendência o condado de Pembroke passou para sua filha Isabel, e consequentemente para William Marshall. No entanto, apesar de William e Isabel terem gerado ao todo dez filhos nenhum dos varões conseguiu produzir descendência legítima.

Se conta que isso aconteceu devido a uma maldição lançada pelo Bispo de Samambaias, Ailbe Ua Maíl Mhuaidh, de quem duas mansões haviam sido tomadas por William.

Apesar de não conseguir gerar uma descendência direta por meio de seus filhos varões William Marshal, através de sua filha Isabel, é ancestral dos reis da Dinastia Bruce e Stuart que reinaram na Escócia e através de sua neta Maud de Braose, é ancestral de todos os reis ingleses incluindo Eduardo IV, Ricardo III e o famoso Henrique VIII.

Fontes:

JOHNSON, John. William Marshal, a Knight’s Tale. Disponível em: <https://www.historic-uk.com/HistoryUK/HistoryofEngland/William-Marshal-Knights-Tale/>. Acessoem 12. Jul. 2022.

Publicado por Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela UNOPAR (2018) e possuí pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar (2019) também pela UNOPAR. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.

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